Imagens da Cidade de Guaratuba

Guaratuba-Debret-1827


Crônicas da praia



Crônicas da praia I


O Mar



É bom estar assim. Nada para fazer a não ser sentir o mar. O cheiro do mar tem um tempero que os cozinheiros desconhecem, um sabor que os peixes mais apetitosos deixam apenas adivinhar,

um som que os cristais mais puros não são capazes de produzir.O cheiro do mar é quente como o sol que tosta a pele, deixando plantadas sementes de sal.O cheiro do mar é um odor intenso e por vezes profundo, como profunda é a mais longínqua escuridão, perdida em lugares nunca sequer imaginados.O cheiro do mar, é apenas isso: um cheiro. O mar é que é tudo o resto, esta imensidão que me hipnotiza.


por:Luz Rosa-Portugal







Crônicas da praia II







A PESCA DO PEIXE-BOI

28 de janeiro de 2007
Luizinho e Zé Barrica, eram amigos hà muitos anos, caiçaras de Guaratuba eram pescadores profissionais do litoral paranaense. Todos os dias, ainda bem cedinho saiam para tirar do mar o sustento da família. Certo dia foram soltar suas redes lá pros lados da Ilha das Garças, lugar bom de robalo.
A intenção era pegar alguns de bom tamanho já que no dia seguinte seria aniversário do filho do Luizinho e a data seria comemorada com um almoço para toda a família. Lá chegando soltaram suas redes e ficaram conversando sobre como seria a festa. Na hora certa, começaram a recolher as redes e sentiram que estava muito pesada. Os dois já tinham feito boas pescarias, mas aquela deveria ser a melhor de todas. A força que estavam fazendo era muito grande, além do normal. A festa estaria garantida, com fartura de peixe para todos os convidados.
A rede estava sendo recolhida e os braços até doendo em função do esforço. Enquanto a rede se aproximava do barco aconteceu a coisa mais esquisita do mundo, quando viram nem acreditaram, Zé Barrica chegou a sentar no barco, Luizinho ficou branco. Dentro da água, enroscado na rede um búfalo, cansado, mas ainda com vida. Sem ter o que fazer, e após se recuperarem do susto, amarraram a cabeça do bicho para fora da água e levaram o grandalhão para terra firme. Olha, faltou gente para ver. A vila inteira se aglomerou em volta dos dois, quer dizer, dos três.
Ao examinarem melhor, perceberam que o grandão estava com a pata quebrada, o veterinário que chegou logo depois explicou que o búfalo deveria pertencer a alguma fazenda próxima da baia de Guaratuba, e que deveria ter ido beber água, tropeçou, quebrou a perna, caiu na água e ficou boiando até se enroscar na rede. Disse ainda que como a perna estava quebrada não teria jeito e o coitadinho teria que ser sacrificado. Só tempo depois perceberam que a rede estava toda rasgada e não tinha vindo nada de peixe.
No dia seguinte o almoço de aniversário aconteceu mesmo sem peixe, mas a festa estava super animada, todos felizes. Afinal, carne de búfalo também é muito gostosa. Lá pelas tantas um convidado brincou ,perguntou do peixe e o Luizinho respondeu: - Está aí, é um peixe-boi, quer dizer, peixe-búfalo.
Eu também estava nessa festa, pena que não tirei nenhuma fotografia, mas posso garantir. Que aconteceu, aconteceu.


Chico Lambari




Crônicas da praia III

A CASA DE PRAIA

Fincado sólido o sobrado a duas quadras da praia.Lambris se sobrepunham à alvenaria. Na frente, um tímido gramado com coqueiros e figueiras. Da primeira varanda, com piso de ladrilho vermelho, a primavera de uma floreira sempre carregada de flores perenes, e antes de chegar ao alpendre três vigas de concreto apontando o céu como um dedo em riste.Da entrada ao fundo o chão de pedras irregulares ganhava o espaço livre do quintal até chegar ao desenho de quadrado de grama e sobre ela outra figueira, dois limoeiros e arbustos de pimentas. A vegetação da área refrescava a casinha de bomba d’água. No esforço emergia do poço uma água amarela trazendo consigo o cheiro forte de enxofre. Corria dentro da casa uma nobre escada de madeira com tapete de veludo levando aos quartos.
A parede, das costas de quem vencia os degraus, modelava uma pequena janela com parapeito por dentro servindo de base para uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A imagem da santa foi posta ali depois de um enxame de abelha europa. Primeiro diziam serem abelhas africanas, pretas, assassinas. O cacho de abelha era antigo. Começou diminuto e foi crescendo, aumentando. A cada verão de nossa ida à casa de praia aquele cacho parecia inflado desde a última estada; e em um dos verões as abelhas começaram a guerrear entre si.
Aprendi, de olhos arregalados, boquiaberto, surpreso e tomado de um medo invisível, a palavra enxame. A professora da escola ensinava substantivos. Eu sabia o que era colméia, o que eram abelhas, o que era favo e o que era mel. Mas não sabia da fúria de um enxame. Quando vi pela primeira vez, sentado naquela noite de verão, com o corpo ardido do sol das férias, o que realmente era um enxame, me lembrei da professora; via sua silhueta entre o fogo ateado pelo homem do corpo de bombeiro e o enorme cacho de abelhas. Ouvia os zunidos de todas elas. Gritos de guerra, de morte.
Os vizinhos haviam fechado as entradas de suas casas. Com medo, por si e pelas crianças, minhas amigas.
Desejei ficar na escada, protegido pela casa de praia toda fechada. Desejei ver por entre a pequena vidraça a cruzada das abelhas. Sentia-me protegido pela imagem da santa de Aparecida do Norte.
No final, o homem do fogo, um soldado só abatendo aquelas milhares de abelhas, tirou o capacete, sorriu pra mim e fez com a mão, não me lembro qual, o sinal de positivo com o dedo polegar. Depois desceu de sua escada. Fui até a rua cheia de gente ao redor dos baldes de alumínio pelas bocas de favos. Fartavam-se de tanto mel. Peguei um pedaço de favo, mas tinha gosto de fogo, de abelha morta, de luta. Desisti e joguei fora.
A família reunida discutia o destino a ser dado para a casa de praia.
Eu me lembrava dos bons momentos passados por ela. Os verões. Os amigos de infância. As brincadeiras. Os caranguejos. As pescarias. A guerra das abelhas. As queimaduras de sol. A água salgada. A prostração da vida.
Da reunião foi resolvido: dois iriam à casa de praia para ver seu estado. Saber das dívidas de impostos, do valor da venda. O primeiro nome levantado foi o meu. Ironia que o destino me prega a cada passo de vida. Mais alguém comigo: o marido de minha prima.
Às quatro horas da madrugada já estava de pé, na calçada com uma mochila na mão, esperando. Às quatro e dez ele apontou na esquina, deu sinal de luz e eu entrei no Ford cinza jogando a mochila no banco de trás. Imediatamente Romualdo pôs em meu colo a caixa de CDs, dizendo pra escolher. Começamos com Djavan.
De Londrina a Guaratuba o trecho é de uma boa pernada. Cerca de quinhentos quilômetros, contando com a travessia de balsa.
A primeira parada para um café, logo na Holandesa, após uma hora de estrada. Um lanche rápido e seguimos viagem direto a Curitiba, onde tornarmos a parar. Um almoço prolongado, tentando evitar o encontro com tanto passado naquela casa de praia. Falávamos de tudo, menos da casa. Menos da intenção de colocá-la à venda. Minha infância estava ali dentro. Parte da vida da mulher de Romualdo também estava na casa.
Na travessia da balsa ficamos longe. Um na proa e o outro na popa. A baía de Guaratuba é sensual. Tem cheiro bom. Tem vista firme e alegre. Diria até secular em torno de suas pequenas ilhas. E éramos as ilhas naquela sórdida missão.
A casa de praia, hoje velha, parece olhar desconfiada. Olho de velho, sabedor das coisas da vida, das maldades, das artimanhas, das sacanagens. Casa velha calejada pelos passos e vozes de tanta gente acolhida.
Abro toda a casa. Ela nos recebe igual, mesmo com astutos olhos, com seus gonzos enferrujados e barulhentos, chiando, gemendo, de braços abertos, tal qual fazia nos antigos verões. Ando por seus caminhos, cômodos com cheiro de passado. Os lambris estão derrubados por ataque violento de cupim. Insetos invadindo o vetusto sobrado de praia.
O corretor de imóveis, para avaliação de valor monetário, aporta logo na entrada. Faz anotações.
Vista e avaliada, entro para fechar janelas e portas. Paro na escada e encaro a janela. Somente a imagem da santa, imóvel, numa vigília quase eterna, silenciosa. Fecho os olhos e busco o enxame de abelhas. Enxame.
Agora somos nós, em verdadeiro enxame de gentes, de família. Nosso cruel enxame.


Por:Carlos Alberto Francovig Filho








Legislação torna imóvel com herdeiro mais atrativo



A legislação que permite a realização de processos de separação, divórcio, partilhas e inventários em cartórios traz efeitos positivos para o mercado imobiliário: casas e apartamentos com mais de um herdeiro e com um casal proprietário em processo de separação serão regularizados e vendidos com mais rapidez, de acordo com o presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis), José Augusto Viana Neto. "Sem dúvida nenhuma, existe essa contribuição. A situação aumenta a tranqüilidade das transações imobiliárias", afirmou.
Imóvel com herdeiro - Viana ainda disse que, em uma situação hipotética com seis herdeiros existe a necessidade de tirar documentos onde está o imóvel e na cidade de cada um deles. Exatamente por este motivo é que o tipo de imóvel é pouco procurado. "Por enquanto, é tudo muito burocrático e as pessoas desistem quando vêem que é mais de um proprietário", afirmou, ressaltando que a nova legislação agita o mercado imobiliário.No processo de venda, são necessários diversos documentos, como as certidões cíveis e criminais, negativa de débito municipal, de casamento e de nascimento. Quem mora em apartamento ainda tem de apresentar um documento do condomínio mostrando que está em dia com o pagamento da despesa.Para não perder muito tempo, e dinheiro, ao comprar imóvel com muitos herdeiros, o presidente do Creci indicou que a maneira mais segura é contratar uma imobiliária, que vai correr atrás de todos os documentos. "Para o leigo é muito mais difícil, cada documento se encontra em um lugar".Cartório - Em um ano de vigência da lei 11.441/07, que permite a realização de separações, divórcios, inventários e reconciliações em cartórios, quase 100 mil atos já foram realizados, segundo informou o Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo -, que abrange informações dos 897 tabelionatos do Estado. Em relação ao fim do casamento, foram quase 91 mil atos. Fonte: Info Money - 11/03/2008


http://www.imobiliariaefetiva.com.br/Link

Casa própria será financiada na Imobiliária.


Publicada em 12/08/2008 às 23h28m por Mariana Sallowicz - Diário de S.Paulo/SÃO PAULO - Financiar a casa própria pela Caixa Econômica Federal deverá ficar mais rápido e menos burocrático a partir de outubro. O banco pretende lançar o "correspondente imobiliário", que irá permitir ao mutuário fechar o contrato diretamente com a imobiliária, sem precisar passar pelo banco. A novidade foi divulgada ontem, no segundo encontro de líderes do sindicato dos corretores (Creci), em São Paulo.O projeto piloto está em andamento em Belo Horizonte e São Paulo. "A idéia inicial era lançar em agosto, mas deixaremos para outubro. O corretor fará a entrevista com o cliente, juntará os documentos e ele não vai precisar ir à agência. Até mesmo o contrato será assinado na própria imobiliária", explicou o gerente regional de negócios da Caixa, Camilo de Lelis Goes.O gerente de habitação da Caixa, Luiz Carlos Previlato, acrescenta que o prazo para sair o financiamento deve cair de 25 dias (média hoje sem uso do FGTS) para 15 dias. "Terá o contrato fechado e os documentos prontos em um prazo bem curto", avalia. O objetivo do banco é descentralizar o trabalho e, dessa forma, ganhar em agilidade.O presidente do Creci, José Augusto Viana Neto, resume: "as imobiliárias passam a ser como as lotéricas. O cliente utiliza como se estivesse indo na Caixa", resume. Na próxima semana, Viana Neto irá a Brasília solicitar que a avaliação dos imóveis seja feita também pelos corretores.
Imobiliárias parceiras
A Caixa fechará parcerias para oferecer a opção ao mutuário exclusivamente com as imobiliárias. Para fechar o negócio, os corretores receberão remuneração de 0,5% a 1,5% do contrato.Na semana passada foi lançada uma empresa em São Paulo que trabalhará nesses moldes, a Habix. O cliente avalia opções de financiamento de diversos bancos por meio da correspondente imobiliário.Fonte: Globo Onlinehttp://oglobo.globo.com/economia/morarbem/mat/2008/08/12/casa_propria_sera_financiada_na_imobiliaria-547712580.asp
http://www.imobiliariaefetiva.com.br/Link

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